Montag, September 20, 2010
O Sul é o meu país - Por que o movimento nacionalista no Sul é mais forte?
Não se trata de anseios ou, na pior das hipóteses, apenas deles. No entanto, não há de se descordar que o instrumento que realmente fortalece o espírito de uma nação é uma guerra. E exemplos para isso não nos faltam. Um deles se faz importante citar: a Guerra dos 100 Anos. Tratava-se de um disputa pela região de Flandres. Naquela época havia muitos feudos ingleses em terras com maioria francesa. O idioma e o fortalecimento do rei francês sobre os feudos de mesmo idioma foram criando um sentimento de nação sobre o povo, que passou a ver os ingleses como inimigos, embora isso tenha levado muito tempo. Mesmo com os feudos em decadência e com o fortalecimento do rei, algumas figuras como a de Joana Darc inspiraram os franceses, fortificando assim o sentimento de nação. A contra resposta inglesa desencadearia para eles o mesmo sentimento nacionalista. Além, a Guerra dos 100 Anos contribuiu para o surgimento de um dos elementos constitutivos do conceito moderno de Estado-Nação: a constituição de um exército permanente.
Para citar exemplos contemporâneos, podemos mencionar a Argentina no conflito do Canal de Beagle contra o Chile e a guerra das Malvinas contra a Inglaterra. Ainda, a humilhação sofrida pela Alemanha com o Tratado de Versalhes pós 1ª guerra mundial, criando as condições ideais para a germinação do nacional-socialismo, mas que infelizmente deu vez à “Arkitetur des Untergangs”, a arquitetura da destruição de Hitler, convolando-se no terrível regime nazista. Daí se dá a infundada e impensada alegação da aproximação do movimento o Sul é Meu País com o regime fascista.
É evidente que algumas guerras vazias nada colaboraram com o fortalecimento do espírito de nação, como a do Vietnã, por exemplo. No entanto, o Brasil é desprovido do sentimento nacionalista devido ao fato de nunca ter sido o figurão de uma grande guerra. E em contrapartida, as guerras mais sangrentas dentro do atual território brasileiro se deram em terras sulinas, como a Revolução Farroupilha no século XIX e a guerra do Contestado, nesta, chegando a ser declarada uma monarquia "sulista" pelos insurgentes, além da Guerra da Cisplatina e da Sedição de 1830.
Desde o seu início, o Brasil careceu de sentimento nacionalista. Quando tornou-se independente de Portugal, o governo tomou providências para defender os interesses de seu povo. Mas afinal, quem era o povo brasileiro? Ora, restavam no Brasil os portugueses remanescentes, estes que ocupavam os maiores cargos do império e do exercito. Escravos e índios não tinham vez. Na época, Dom Pedro I propôs um modelo de governo unitário (mantido até hoje), indo contra a idéia liberal sulista, que sugeria um modelo de governo que desse maior autonomia às províncias. O Partido Restaurador almejava o retorno de Dom Pedro I, idéia conflitante com a do Partido Liberal. Mesmo não sendo, até então, um movimento separatista, a melhor solução em vista seria o desmembramento, assim como ocorreu com a província da Cisplatina, atual Uruguai, pois se constatou certamente que o conflito iria longe. Hoje, as idéias separatistas ainda estão presentes na Região Sul por ser não somente uma questão política, mas também cultural. No estado do Rio Grande do Sul e em muitos municípios de Santa Catarina e Paraná comemora-se oficialmente a Revolução Farroupilha, justamente pelo ato de revolta contra o império brasileiro ter sido considerado, sobretudo, um ato de coragem e de bravura pelos sulistas. Durante a semana do dia 20 de setembro, aniversário da revolução, os diversos Centros de Tradições Gaúchas espalhados por todo o Sul festejam a data lembrando os méritos desta revolta separatista. Na própria bandeira do Rio Grande do Sul ainda consta a inscrição "República Rio-Grandense" sob os moldes da bandeira criada para o novo país. Em Santa Catarina, a revolucionária Anita Garibaldi é considerada heroína do estado e não faltam estátuas, ruas e praças em homenagem a ela. Festeja-se todo ano na cidade de Laguna-SC a encenação da Tomada de Laguna, evento que declarou a República Juliana durante a Revolução Farroupilha. Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto, Giuseppe Garibaldi e Davi Canabarro são considerados como os “Joana Darc” gaúchos. Isso justifica o espírito de fervura sulina.
Em suma, além do Brasil não ter conseguido despertar um grande sentimento nacional, ainda conseguiu afastar o que restava de uma parte de “seu povo”. Na contemporaneidade, o que se discute não é necessariamente um desmembramento, mas uma simples autonomia. Se o Sul possuísse uma fronteira geográfica com o resto do Brasil, através de um grande mar, lago ou até mesmo montanhas, certamente já teria sido declarada até mesmo a sua independência. No entanto, a discussão de hoje gira em torno da brutal diferença entre o que a União arrecada do sul e o que nos é repassado, diga-se de passagem, a maior diferença de todas as regiões, por óbvio, a favor da União.
E essa ausência de sentimento nacionalista brasileiro reflete nos dias atuais. Afinal de contas, quantos brasileiros empunham a bandeira verde e amarela na comemoração da independência? O 7 de setembro no Brasil é comemorado apenas de quatro em quatro anos e no mês de julho, quando vemos os estandartes figurando por aí em época de copa do mundo.
Por fim, ainda, não faz sentido o Brasil, que se diz um Estado federado, deixar as suas unidades federativas com a competência residual. Mas isso é tema para um outro artigo.
HARTMAN, Ivar. Aspectos da Guerra dos Farrapos. Feevale: Novo Hamburgo, 2002.
SANT'ANA, Elma, "Bento e Garibaldi na Revolução Farroupilha", Caderno de História, nº 18, Memorial do Rio Grande do Sul. Edição Eletrônica.
“Bem penetrados da justiça de sua santa causa, confiando primeiro que tudo, no favor do juiz supremo das nações, eles têm jurado por esse mesmo supremo juiz, por sua honra, por tudo que lhes é mais caro, não aceitar do governo do Brasil uma paz ignominiosa que possa desmentir a sua soberania e independência”.
Bento Gonçalves
Donnerstag, September 09, 2010
6 anos de blog!
Donnerstag, August 26, 2010
Resi, i hol di mit meim Traktor ab!
Refrain:
Resi, i hol di mit meim Traktor ab,
Resi, mit dem, da mach i niemals net schlapp.
Und dann spui i Mundharmonika,
denn romantisch bin i ja a.
Du wohnst glei hinter Truderring,
auf'm Bauernhof.
Und weil i in der Stadt drin wohn,
find'st mi von Haus aus doof.
Doch bei mir ham glei bei dir,
alle Glocken gleit.
Hörst mi net kumma, hörst mi net brumma,
Madel, hast für mi Zeit?
Refrain
I hock droben auf'm Schleudersitz,
koana holt mi auf.
Lachend wirst vor der Haustür sthen,
und i ziag die zu mir nauf.
Du wirst sehn, dass i so stark
wiera Traktor bin.
Dann bleibst für immer, runter wuist nimmer,
mia fahrn irgendwo hin
Donnerstag, August 12, 2010
Cervejas na Gazeta do Povo!
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Mittwoch, August 04, 2010
A geada negra de 1975.
De Curitiba já vinha a noticia de nevasca no dia anterior. Então a madrugada foi de perplexidade e nas horas mais frias os termômetros despencaram. De repente nada mais restou. As estatísticas dão uma dimensão grandiosa dos eventos daquele dia. Na safra de 1975, cuja colheita já havia sido encerrada antes da geada, o Paraná havia colhido 10,2 milhões de sacas de café, 48% da produção brasileira. Era o maior centro mundial nessa cultura e tinha uma produtividade superior à média nacional. No ano seguinte, a produção foi de 3,8 mil sacas. Nenhum grão de café chegou a ser exportado e a participação paranaense na produção brasileira caiu para 0,1%.
Nos dias seguintes já começava a consolidar-se uma idéia de que o estrago seria duradouro. O governador da época, Jayme Canet Júnior, anunciava que o orçamento do Estado seria reduzido em 20% no ano seguinte. O prejuízo foi de US$ 75 milhões com a perda de 850 milhões de pés de café. Os jornais noticiavam: “Um verdadeiro cataclisma”.
Diferente da geada normal, que em anos anteriores atingiu somente algumas áreas e permitiu que os pés de café rebrotassem, a geada negra foi destruidora e torrou o pé de café das folhas até a raiz, sem chance de recuperação. O Norte do Estado amanheceu, literalmente, coberto por uma mancha negra, que rapidamente se decompôs sob os raios do sol. Tudo o que era verde morreu – não apenas o café, mas toda a vegetação que recobria a região.Em uma geração muita coisa pode mudar. Mas parece certo que a geada negra de 1975 foi um daqueles raros momentos em que um único fato é capaz de precipitar mudanças históricas, pois desse fato veio muito rapidamente a supremacia da soja, o fortalecimento das cooperativas, a migração, a industrialização e a perda da importância da agricultura cafeeira. Segundo especialistas, a geada de 1975 foi a responsável pela mecanização da agricultura no Paraná e também um dos motivos do rápido crescimento de Londrina, que se transformaria nas décadas seguintes num dos mais importantes municípios do Sul do Brasil.
A geada negra de 1975, que mudou a história paranaense ao aniquilar a principal cultura agrícola existente no Estado, tornou a vida difícil para muita gente. Ao mesmo tempo, outros fatores surgiram para dar um empurrão extra. No oeste do Estado, a construção da usina de Itaipu obrigou pelo menos 8 mil agricultores a deixarem suas propriedades, gerando uma demanda por terra que não tinha como ser suprida na região. Ao mesmo tempo, culturas tradicionais no Estado, como o trigo e o algodão, sofriam com o clima e com a conjuntura econômica. Em escala menor, uma geada ocorrida em 1983 repetiu para os produtores de trigo o estrago que os cafeicultores haviam sentido oito anos antes.
Houve um forte movimento migratório de paranaenses que trabalhavam na lavoura para o Mato Grosso do Sul, fazendo com que o Paraná tivesse um déficit populacional de 20% nos anos 80.
Como ocorre a geada:
Geada é o congelamento do orvalho na superfície e pode atingir diferentes intensidades. Para ocorrer este congelamento não é necessário que a temperatura no ar esteja igual ou menor que 0°C. Isto porque na superfície, a temperatura pode ser até 05°C menor que no ar, dependendo da perda radioativa que a superfície perde. A temperatura na superfície é chamada de temperatura na relva. Então, com temperaturas de até 05°C pode-se ocorrer geada. Quando se forma apenas uma camada de gelo na superfície chama-se de geada branca e quando a seiva das plantas congela chama-se de geada negra. Esse último tipo é a mais devastadora para as plantações, mas só ocorrem em cidades bem frias e no Brasil afeta apenas as cidades serranas do Sul. A geada negra muitas vezes se forma devido ao vento muito gelado que congela as plantas e nem sempre forma gelo na superfície em função de ocorrer durante qualquer hora do dia quando o ar esta mais seco. A geada branca atinge diferentes intensidades. É considerada como geada fraca quando a temperatura do ar está entre 03°C e 05°C, mais ou menos.
Moderada, quando a temperatura do ar está entre 01°C e 03°C, mais ou menos e geada forte, quando a temperatura do ar está menor ou igual a 0°C. As geadas fortes são as geadas negras. Porém já foram registradas geadas com temperaturas de 06°C, pois a temperatura na relva ficou até 07°C menor que no ar. Isto porque dependendo das condições de umidade relativa do ar a perda de temperatura na superfície é muito maior.
Dados do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) apontam que na mesma época, uma seqüência assustadora de geadas ocorreram em toda a Região Sul, além dos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, e até no sul e oeste de Mato Grosso e sul de Rondônia.
Os especialistas ficam atentos a cada inverno sobre o Brasil. A crescente forma da economia brasileira em uma nova conjuntura não só aferia o Sul, mas o País todo de uma maneira geral. Os preços dos produtos agrícolas, matérias-primas para a confecção de outros materiais, as exportações em si, que hoje rendem quase a metade do que o País produz. Se uma onda polar como a de 1975 ocorresse novamente no Brasil, fato este que jamais pode ser descartado, seria o caos sobre o caos.